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Grêmio, o Time Copeiro

terça-feira, 16 de junho de 2009

Por Paloma Poeta Pfingstag, 16/06/2009

Do amadorismo ao futebol profissional, o porquê do rótulo dado ao tricolor dos pampas




15 de setembro de 1903. Trinta e dois rapazes se reuniam na rua 15 de Novembro (atual José Montaury) para dar início ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Carlos Luiz Bohrer foi eleito o primeiro presidente, sem sequer imaginar que, anos depois, o Grêmio seria denominado time copeiro.
Em 1954, ocorreu a inauguração do estádio Olímpico e, com ela, 12 campeonatos em 13 disputados e grandes excursões à Europa em 1961 e 62, que renderam fama internacional ao Grêmio.
Se a construção do Olímpico havia trazido bons frutos, a sua reinauguração em 1980 seria seguida de um dos maiores feitos da história do clube: o mundial interclubes.
Mas, afinal, porque time copeiro? Segundo o “Dicionário Popular de Futebol, o ABC das Arquibancadas”, de Leonam Penna, copeiro é o time que está sempre decidindo o título de copas. No livro, junto ao significado da palavra, vêm Grêmio e Cruzeiro como os times copeiros brasileiros. De fato, o tricolor gaúcho sempre teve melhor desempenho em copas do que em campeonatos de pontos corridos - um total de aproximadamente 20 copas em que ficou entre os 3 primeiros colocados. Fora isso, a proximidade com times uruguaios e argentinos deu, definitivamente, o rótulo ao tricolor, que possui uma torcida cujo nome inicial era Alma Castelhana.
Porém, se Grêmio for sinônimo de time copeiro, então é permitido conhecer o fundo do poço também. Em 1991 e em 2004 o Grêmio acabou sendo rebaixado para a segunda divisão do futebol brasileiro. Da segunda vez que foi para a série B, se ergueu digno do título que leva ao lado do nome. O dia 26 de novembro de 2005 ficou conhecido como a data da histórica e heróica conquista do Campeonato Brasileiro da Série B, contra o Náutico por 1x0. A vitória fez com que o tricolor voltasse para a primeira divisão e virou filme.
Há quem diga também que copeiro é quem sai sempre vitorioso. O Grêmio pode não ganhar todas, mas é dotado de uma garra característica do futebol gaúcho e dos arredores (Argentina, Uruguai), onde a derrota não está entre as possibilidades, mas sim a luta e o suor até que o ápito do árbitro seja ouvido. O hino é a canção dessa política esportiva, indicando que até nos maus momentos a torcida segue junto apoiando. Quanto à camiseta do time, as estrelas mostram poder: a dourada representa a conquista do mundo, a prata as duas conquistas da América e a de bronze representa as conquistas no Campeonato Brasileiro.
Em mais de cem anos de história, o Grêmio contabiliza um mundial, duas libertadores, uma recopa sul–americana, três brasileiros (incluindo o da série B), 5 copas do Brasil (incluindo a supercopa), dois regionais, 35 campeonatos gaúchos, e 28 campeonatos Porto Alegre, entre outros. Com um desempenho memorável nas copas do Brasil de 1989, 1994 e 1997, sendo campeão invicto.
Como toda história gloriosa (mesmo que nem sempre), há heróis. Jogadores, dirigentes e técnicos, todos classificados pelo time como aguerridos reforçam o título. Entre eles, se sobressai o jogador Everaldo, craque dos anos 70, imortalizado com uma estrela dourada na bandeira do clube representando-o.

Comentários Sobre o Time Copeiro

Futebol é um troço disseminado. Todo mundo tem uma opinião sobre isso”, diz David Coimbra. E quando o assunto é a opinião dele, o Grêmio é um time copeiro devido à proximidade com os times argentinos e uruguaios e não há momento melhor que a Batalha dos Aflitos para representar e afirmar o rótulo dado ao time tricolor. Outra razão de o grêmio ser um time copeiro é a marca que os jogadores passam, com raça. Mas escolher um craque em toda essa história fica difícil. Do princípio Lara e Foguinho, com um futebol aguerrido, segundo ele. Mais recentemente, Renato Portaluppi e Ronaldinho Gaúcho.

No entanto, mesmo gremista, ele sabe que muita coisa pode melhorar. O nome da mudança? Alguma coisa parecida com Fernando Carvalho. Estranho mencionar o dirigente colorado em uma conversa sobre Grêmio, mas ele sim. “Fernando carvalho é um cara que está sempre muito atento às coisas do futebol, muito atento ao clube, muito cuidadoso, caprichoso e o grêmio não demonstra isso. Tem um time que todo mundo sabe que é frágil e não se reforça”.

Sinônimo de imparcialidade, Adroaldo Guerra Filho, o famoso comentarista colorado Guerrinha faz jus à sua afirmação: “Quando eu resolvi assumir, tratei de ser justo. Se é certo é certo, se é errado é errado. Não interessa se a cor é azul ou vermelho e isso me traz até hoje uma coisa muito legal, gratificante eu diria. Eu tenho um muito bom relacionamento com torcedores do Grêmio”.

Foi assim, “vendo com os olhos ao invés do coração”, como ele mesmo diz, que ele declarou algo extraordinário para um colorado: a validade do título de campeão do mundo do time tricolor. E por isso, esse é, para ele, o maior momento da história do Grêmio. Mas time copeiro? Ele disse que isso não existe, todos ganham copas e nem por isso se classificam assim. “Eu não acredito muito nesse negocio. Copeiro é bom quando ganha, mas e quando perde, o quê que o Grêmio é? Para com essa bobagem, não existe time copeiro. Quando não tem qualidade é um time de várzea? Não, não é também. O Grêmio tem que ser sempre o Grêmio”.
Quando o assunto é torcida, eles não hesitam em ressaltar a importância dela. Guerrinha diz ser o 12 jogador e Coimbra afirma que a Geral do Grêmio mudou o jeito de torcer no Brasil.
Em ano de Centenário do Inter e bom desempenho do Grêmio na Libertadores, eles dão seu comentário do que vem pela frente: um ano vermelho. Mas não elimina a possível conquista gremista da Taça Libertadores, que, segundo Guerrinha, vai começar agora para o Grêmio.
Lembra da rivalidade que o comentarista colorado deixou de lado? Ele fala dela também. Para ele, é ela que impulsiona tanto Inter quanto Grêmio. David Coimbra assina embaixo.

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